TEXTOS QUE FAZEM PENSAR...
DICAS ÚTEIS:
*Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade.Ela assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio.
"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou.
É a coluna mais solicitada que já escrevi."
Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:
1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .
3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.* ***
4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente.
Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.
5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.
6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.* ***
7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.
8. É bom ficar bravo com Deus Ele pode suportar isso.
9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.* ***
11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.
14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.* ***
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe: Deus nunca pisca.
16. Respire fundo. Isso acalma a mente.
17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.* ***
18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz.
Mas a segunda vez é por sua conta e de ninguém mais.
20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.* ***
21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic.Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.
23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.* ***
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você..
26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras: 'Em cinco anos, isto importará?'
27. Sempre escolha a vida.* ***
28. Perdoe tudo de todo mundo.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..
31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.* ***
33. Acredite em milagres.
34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.
35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
36. Envelhecer ganha da alternativa morrer jovem.* ***
37. Suas crianças têm apenas uma infância.
38. Tudo o que verdadeiramente importa no final é que você amou.
39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.* ***
41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor ainda está por vir.* ***
43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.
44. Produza!
45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.Aconteceu dia 05 de março de 2012, 8 horas da manhã numa praia do Brasil
A beleza dos esportes em Slow Motion
LINK:
XV de Piracicaba celebra troféu Fair Play no Paulistão 2012:
XV de Piracicaba celebra troféu Fair Play no Paulistão
O time foi o que menos recebeu cartões na competição
Piracicaba, SP, 12 (AFI) - O XV de Piracicaba recebeu na noite de ontem o troféu Fair Play. A iniciativa foi da entidade Panathlon Club São Paulo, que em parceria com a Federação Paulista de Futebol premiou o time piracicabano como equipe mais disciplinada do campeonato paulista de futebol. “Mesmo com nossas dificuldades sempre fomos leais dentro de campo. Este é o espírito do nosso futebol”, disse o vice-presidente do clube, Rubens Braga.Invasão da Torcida do XV de Piracicaba:
"SAÚDE É O QUE INTERESSA! O RESTO NÃO TEM PRESSA!!!"
"SAÚDE É O QUE INTERESSA! O RESTO NÃO TEM PRESSA!!!"
Banda Piracicabana de Rock Compõe Música em Homenagem ao Alvinegro
Analise estas informações:
2013 = CENTENÁRIO DO E.C. "XV DE NOVEMBRO DE PIRACICABA"
2013 = COPA DAS CONFEDERAÇÕES no BRASIL
2014 = COPA DO MUNDO DE FUTEBOL no BRASIL
2016 = OLIMPÍADAS no BRASIL -RIO DE JANEIRO - RJ
2018 = COPA DO MUNDO = RÚSSIA
2022 = COPA DO MUNDO = KATAR
JÁ SE CONECTOU?
Criatividade de uma Juíza frente ao amor de um pai...
"Os problemas são os mesmos pra todo mundo, ricos ou pobres. A diferença existe apenas na maneira de encará-los, enfrentando-os, resolvendo-os ou se entregando" Mais ou menos assim falou este pai num dos trechos do video. Vale a pena assistir...
Entre no link, e veja até o final. Assistam até o fim, pois se trata de uma lição, em todos os sentidos! O amor incondicional de um pai, a criatividade de uma Juíza, a compreensão do sistema financeiro e seus advogados e, acima de tudo, a presença de uma força divina! E para quem gosta de DIREITO, reflita sobre a diferença entre direito e justiça. Surpreendente o enfoque dessa Juíza Federal, de apenas 38 anos, que resgata a fé no Poder Judiciário. http://daleth.cjf.jus.br/vialegal/materia.asp?CodMateria=1478
Há uma luz em algum lugar que vai fazer seu sonho se realizar. É só você acreditar que uma nova estrela vai brilhar, nunca deixe de sonhar.
1) VOCÊ ENCONTROU ALEGRIA EM SUA VIDA?
2) VOCÊ PROPORCIONOU ALEGRIA AOS OUTROS?
Quais são as SUAS respostas hoje?
Jogo Japonês -Veja a idade de sua memória Esse joguinho é prá exercitar o cérebro:
O bom e velho “RIO PIRACICABA” Foto tirada do Rio Piracicaba na piracema/2012..
olha são Dourados pulando...
MUDANÇAS:
Mudanças
“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses são suficientes para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.” - Por Carlos Drummond de Andrade.Acerte seu relógio:
Pedras no caminho
“Quem alimenta o cérebro com bons princípios, boas idéias, terá todas as facilidades para trilhar o caminho da felicidade ”
O que somos é um presente de Deus, o que nos tornamos é o nosso presente para o mundo.
Les Voca People débarquent !
Panoramio - Photos by LUPNETO
JOGO DA FORCA (clique abaixo);
PASSATEMPO (JOGOS = clique abaixo):
Fez até os profissionais chorarem: RODEIO
XVZÃO ehoh XVZÃO ehoh!!! É CAMPEÃO!!! É CAMPEÃO!!!
É CAMPEÃO!!!
"EU JÁ SABIA!"
nós percorremos livres e sem empecilhos,
mas um labirinto de passagens,
pelas quais nós devemos procurar nosso caminho,
perdidos e confusos, de vez em quando
presos em um beco sem saída.
Porém, se tivermos fé,
uma porta sempre será aberta para nós,
não talvez aquela sobre a qual
nós mesmos nunca pensamos,
mas aquela que definitivamente
se revelará boa para nós."
A. J. Cronin
“ Para que levar a vida tão a sério
"HAJA O QUE HAJAR" "TRAGA-ME A PROBLEMÁTICA, QUE TE TRAGO A SOLUCIONÁTICA"
VM e DMPA
O que é MEME?
A VIDA E SUAS HISTÓRIAS ( LIFE AND STORIES )
O sucesso não é o final e o fracasso não é fatal: o que conta é a coragem para seguir em frente!
"Quem julga as pessoas, não tem tempo para amá-las!" M. T. de Calcutá
"Você pretendiam me fazer mal, mas Deus o tornou em bem para realizar o que está sendo feito agora, a salvação de muitas vidas." Gênesis 50:20MICROCONTOS:
sábado, 2 de janeiro de 2010
"A cruz da Ceição "
Ninguém entendia como uma mulher feita a Ceição, prendada e bonitona, podia carregar nas costas um tipo desengonçado e vagabundo que nem o Malaquias.
- Vai ver é o chamego dele – alguém dizia.
- Parece até feitiço... – completavam.
Fosse o que fosse, chamego ou feitiço, quanto mais a mulher dava duro, mais o marido mandriava. Agora, tinha viciado em beber, vivia escornado. Passava o dia no boteco, cada hora goderando bebida de um.
- Não faz nem pra pinga – comentaram.
- É, mas não pára de fazer filho.
Barriguda e pesadona, uma penca de crianças pra cuidar, fora a trabalheira de sempre, Ceição vira-e-mexe perdia a paciência com o imprestável do marido. Mas tinha pena dele, logo voltava às boas.
Um dia Malaquias veio vindo pela rua, encontrou a dona Zélia, que perguntou espantada:
- Que foi isso, Malaquias? Algum acidente?
- Mais ou menos.
- Atropelamento?
- Não, senhora.
- Então, como é que foi?
- A Ceição me deu um dinheiro ontem, diz-que andava desacoroçoada, me pediu pra comprar umas precisões, a senhora sabe. Arroz, café, feijão, essas coisa. A tempo da janta, ela pediu.
- E aí?
- Bom, aí, no caminho da venda, dei uma paradinha no boteco. Então, a senhora sabe como é.
- Como é o quê?
- O dinheiro ali, parece coisa que coça no bolso da gente.
- E você não resistiu, não é, Malaquias?
- É, sim senhora. Pedi uma, ofereci pros amigo, a gente foi indo, foi indo...
- ... Beberam o dinheiro todo.
- Isso também não, dona Zélia! Ainda sobrou um troco bem bom.
- E o que você fez com ele?
- Foi o que a Ceição me perguntou.
- E você
- Pelejei pra explicar, ela não quis compreender.
Virou onça, só vendo. Veio foi feito doida por riba de mim.
- Ela não quis compreender o quê, Malaquias?
- Que a gente encontra o companheiro, bebe, dá umas idéias meio doidas na cabeça...
- Afinal, o que fizeram com o troco?
- Ah, dona Zélia, queimamos tudo em foguete.
Era duas e poca e o sole tava tinino. Dispois de fincá o pé na istrada, o mió era sigui viagem. Nóis já lá ia levano uma trisquinha de farofa e uma muringa d’água pru mode num istafá. O suó ia desceno era de bica.
Quem tá na chuva é pra moiá! E nóis é de opinião. Nóis é do tempo que fi de bigode tinha valia.
Dispois de inverná nas aventura, o jêitio era i té o fim. Ieu já ia matutano, quando nóis avistô uma roça mei retirada e lá tinha uns baruio.
- É lá. Num falei, Argimiro!
- Óia, Jaquim. Mermo se num fô, é. Vamo berá esse corgo que nóis tá lá dum sarto.
- Intão, vamo.
Chegô lá, ês num cunhicia nóis e nem nóis nem nunca tinha visto ês. Mas na roça o povo é múntio caloroso. A princípi nóis ficô mei sem graça, mas ês foi múntio inducado. Ês já sentô logo uma caneca véia de cachaça ne nóis. E aquele cunversero e nóis pegano mais intimidade. Do povo dês lá tinha duas minina muié, umas treis mocinha, duas dona e duas véia. Ué! Cadê os home? Tamo fêitio! É caprichá na prosa e o trem tá arrumado.
E nóis numa fome disgramada! Já tava marchano umas quato hora no sole. Bão! Oiei prus lado caçano um chero, só sintia o istrume dos porco no chiquero um poco pra baxo. Quando oiei prum canto, vi uma mesa cumprida cuns pano cubrino ela toda. Fui berano como quem num qué nada e com poco já tava co a mão n’arguma coisa. Eu num sabia o que era, mas quando nóis chegô, tinha avistado um foino grande lá no terrero e falei: deve de tê uma fartura de quitanda cá dibaxo. A queu pegá, é essa merma. Queu pus a mão parpano ansim, já tinha otra mão lá. Ela tava queta, eu falei: tem bastante, eu vô pegá otra coisa. Queu subi um tantim, trisquei nuns dente graúdo, cuncluí: se num fô javali, é capado e dos grande. Num vô rancá uma lasca, sinão pode istragá o bicho. Essas muié é múntio inducada, eu vô pegá otra coisa. Disci a mão com jêitio pra sartá a mão do otro que já tava ali, isbarrei num troço isquisito. Acarinhei aquilo todo imbruiado numa saculinha, aquele trem mei muxibento, mei macio eu pensei: deve sê uma fornada ispiciale quês reséiva pras visita. Ieu sem sabê, quando óio pruma das muié, ela tava sintida num choro queu parei de dó. Isquici a fome, laiguei aquilo ali sem discubri o que era e fui consolá a muié.
- Num fica ansim não, coisinha. Nóis já tava inté agradano da farra.
- Mas né farra não, seu moço. Nóis tá aqui é bebeno o môito.
- Ai, meu São Martin! Né pussive. Ondé que é a bica, pela amô de Deus?
Ieu bem pensano num biscôito de goma e umas rosquinha assada, eu tava sigurano era o môito do môito. Só sei que fiquei uns dois dia sem cumê e sem fome alembrano da sem graceza queu passei. Mas tomém aprindi. Macaco véio num infia a mão im cumbuca!
"A filha do seu Afonso "
Nessa dúvida, foi seguindo a viagem. Ao chegar à fazenda, já tinha decidido. “É melhor aguardar mais um pouco, quem sabe a gente resolve isso por aqui mesmo, uma benzeção, uns banhos de ervas. Vou falar com a mulher para levar a menina na casa do seu Tino, que é raizeiro dos bons.”
Mas, apesar de todas as rezas, de tantos banhos de ervas, compressas no olho doente, não houve jeito. A menina ficou mesmo cega do olho esquerdo. Tempos depois, Dorinha, esposa do dr. Evaristo, conversando com seu Afonso, perguntou :
- E o senhor não se arrependeu de não ter levado sua filha para fazer a cirurgia de vista?
- Olha, dona Dorinha, às vezes eu fico arrependido, sim. Tão bonitinha que ela era, agora ficou meio prejudicada. Mas eu penso assim: ainda bem que lhe sobra o outro olho, não é mesmo? O que chateia mesmo é que ela, que era tão boa numa enxada, agora, quando vai capinar, faz serviço pela metade; capricha na direita, mas o lado esquerdo fica mal capinado que é uma tristeza!
"A gamela"
Para preparar massa de pão de queijo, broa de fubá, e tantas outras delícias, sentia falta de uma boa gamela de madeira:
- Você, que conhece todo o mundo aqui, podia perguntar quem tem uma gamela para me vender - pediu ao marido. E ex explicou o tamanho e o formato que queria.
- Vou ver se eu arranjo para você - prometeu o marido, descendo para o consultório, no andar térreo da casa.
O primeiro cliente que atendeu foi seu Afonso, fazendeiro rico da região; Evaristo comentou com ele o desejo da mulher:
- Pode deixar, doutor, eu trago a gamela na semana que vem, não carece o senhor perguntar a mais ninguém - prontificou-se o fazendeiro.
De fato, na semana seguinte estava de volta à cidade, trazendo a encomenda. Ao recebê-la, Dorinha ficou contentíssima: era exatamente o que queria. Tratou logo de comprar os ingredientes que faltavam, e fez uma boa quitanda.
Dois dias depois, seu Afonso retornou, trazendo dessa vez uma de suas filhas. Ela se machucara ao cortar lenha, uma lasca de madeira atingira o olho esquerdo, que já estava bastante inflamado:
- Vai precisar fazer cirurgia, aqui não tem jeito - disse o médico. O melhor é o senhor levá-la a Belo Horizonte, ou a Campinas.
Seu Afonso coçou a cabeça desanimado; viagem, consulta, hotel, hospital, isso tudo ia custar um dinheirão.
Enquanto o marido conversava com o fazendeiro, tentando convencê-lo da necessidade do tratamento, Dorinha levou a moça até a cozinha, ofereceu-lhe café, bolo, biscoitos. E comentou:
- Fiquei satisfeitíssima com a gamela que seu pai me arrumou, do jeitinho que eu queria.
- Ah, pois é. Ela tá fazendo uma falta lá em casa.. Papai trouxe pra senhora, prometeu que ia arrumar outra pra nós, e até agora, nada. E a gente sente falta dela toda noite, era nela que a gente lavava os pés, antes de ir dormir...
"A modernização da lavoura"
Entre os fundos do barracão e o pastinho dos bezerros passava a estrada. Logo os cavaleiros, viajantes, povo a pé e tocadores de boi, acostumados naquele trecho, foram formando juízo sobre estilo do novo proprietário. Primeiro foi àquela idéia de plantar capim. E exato onde, a vida inteira, Salustiano Borges tinha mantido sua sagrada plantação de mandioca confrontando com quiabo, melancia, abóbora-da´água, moranga, pepino e morango.
Os próprios empregados saíram contando - e logo todo mundo sabia - da cara de tristeza do velho, na hora da janta, naquele dia que começaram a plantar o capim. Diz-que, segurando o prato e olhando para as panelas no rabo do fogão, perguntou uma voz triste, tão triste que ninguém nunca mais esqueceu: - “Daqui uns tempo, numa hora dessas, quando já não tiver mais nem abobra, nem quiabo, nem nada, o que é que hão de comer?” Olhou em volta, todo mundo calado, aí ele mesmo respondeu com outra pergunta, mais parecendo um lamento: - “Capim?”
Nena quase fuzilou Aurélio com os olhos. De noite reclamou que acabar assim com a hortinha do velho era uma maldade sem nome, tanto lugar pra formar capineira. Mas o marido não era de deixar serviço no meio, falou que havia de romper, mesmo com queixa e resmungo.Formada a capineira, trocou o marruco antigo, dispôs das vacas com perdido sangue suíço e adquiriu uma novilhada três quartos. Antes chamou carpinteiro, pedreiro, bombeiro, toda raça de oficial da redondeza e construiu silo, reformou o barracão, botou água corrente curral abaixo, até as cachoeiras. Nena achava que as vacas iam passar melhor do que o pessoal lá dentro de casa.
Bom mesmo foi quando instalou o triturador. De longe o povo escutava aquele to-tó-tó, era milho com palha e tudo, capim e cana esmoendo, despedaçava, virava farelo. Fora o vaivém da casinha pra cachoeira, o gado comendo de espojar, tinha gente que parava viagem no meio pra apreciar o movimento. Ia embora sem saber se aquilo valia mesmo a pena ou se não era farol à-toa, maneira de impressionar os outros, modernice cara e de pouca serventia.
Aurélio trocava idéia com Nena, ela dizia que o povo tinha lá sua razão de preferir trabalhar do jeito dos pais, dos avós, dos mais antigos. O resultado podia não ser muito, mas também era sem risco, um jeito conhecido, dava mais confiança.Ele achava que, com o tempo, os vizinhos haviam de mudar, bastava ver a experiência dele dando certo. De fato, não demorou muito, um e outro foi formando capineira, melhorando rebanho, mudando o trato, de vez em quando aparecia alguém pedindo opinião, querendo trocar idéia. Aurélio ficava todo inchado, jurava que ainda havia de mudar a mentalidade daquele pessoal todo.
Bom, quando parecia ter acabado o estoque de modernismo, olha o homem com a última novidade. Dum dia pro outro escutaram barulho novo, o to-tó-tó do triturador sumiu, não dava nem pra perceber. Agora reinava urro de bicho grande, rugido de animal taludo, o fazendeiro vivia encarapitado na corcova daquela baita máquina.
Num sábado depois do almoço, ele aproveitou pra preparar o terreno do antigo bezerreiro, queria experimentar uma nova variedade de capim. Começou do meio pra fora, foi abrindo círculo, enquanto isto ia treinando no manejo do trator, praticando nos recursos.Estava tão entretido que, quando reparou no Zico Marcolino, ele já vinha chegando estrada acima. “Este”, pensou Aurélio, “vai passar direto, só quer saber de cavalo, sanfona e pagode”.E era mesmo. A fazenda da Aguada, do velho Marcolino Araújo, vivia num passado remansoso, indiferente aos progressos. Os rapazes levantavam com escuro, lidavam com um despotismo de vaca, tudo sem graça, cada uma dando litro e meio, dois, era uma labuta sem arrumação. Pensando bem, sair andando a cavalo sábado de tarde, só pra exibir uma arreata nova ou a marcha-picada do animal, era das poucas compensações dos rapazes vizinhos.
Distraído em seus pensamentos, Aurélio custou a perceber que o moço, estacado na beira da cerca, não tirava os olhos dele. Aí, caprichou nas manobras, afundou a grade no chão, levantou cada tolaco de terra de fazer gosto. Na volta seguinte pensava que o vizinho já tivesse ido embora. Mas lá estava ele, nem piscar piscava. Aurélio nunca imaginou que Zico pudesse se interessar por qualquer novidade. Então resolveu parar um pouco, dar atenção ao rapaz. Desligou a máquina, limpou o suor da testa e perguntou:
- Que tal, gostou?
- Beleza, né sô!
- Não quer dar uma olhada mais de perto, ver como funciona?
- Não, brigado. Outra hora, quem sabe.
Depois de uma pausa, sem tirar os olhos do Aurélio, Zico falou:
- Queria só uma informaçãozinha.
- Até duas.
Aí, Aurélio começou a imaginar a pergunta, se seria sobre o preço do trator, forma de pagamento, se compensava, problema de peça, dificuldade de manejar, tudo passando rápido pela cabeça, preparando a melhor resposta, precisava aproveitar o interesse do vizinho.Foi interrompido com a pergunta do rapaz:
- O Aurélio. Onde que você comprou esse chapéu?
"A morte anunciada"
Até então só tinha morrido o tio Tavico. Mas ele quase não passava de uma criança, uma fruta que nem chegou a vingar, caiu ainda de vez. Não podia contar como banana despencada do cacho. Também já fazia tanto tempo, dele tinha ficado pouco mais que um retrato na parede em frente à Santa Ceia. O bigode, na fotografia, era ralo, o cabelo muito liso e partido no meio, o ar sério e triste, quem sabe já não era o pressentimento da morte?
Talvez porque tenha passado muito tempo depois do tio Tavico, a morte do tio Ambrósio mexeu tanto com o pessoal. Por causa de qualquer dê-cá-essa-palha, lá vinha um deles com aquela frase, de novo a história do cacho, cada um achando que era a próxima banana a despencar.E o pior é que começaram mesmo a adoecer, macacoa comum da idade. Mas foi dando aquela cisma, o medo apertando, ameaçava todo mundo como uma peste. Além da idade, eram todos muitos unidos, os casamentos feitos entre primos, uns mais longe, outro mais perto. Por isso, quando chegou a vez da tia Esméria, seis meses depois do tio Ambrósio, foi como se o cacho falado pelo meu aço fosse despencar todo de uma vez só.
Antes da missa de ano da tia Esméria, embarcou tio Tertuliano, casado com tia Bárbara, que vinha a ser irmã do meu avô. E aí foi indo, repicado, de seis em seis meses lá ia um.
Mas, onde eu quero chegar, mesmo, é no tio Joviano e na tia Neguita. Viviam os dois, mais uma empregada antiga, na casa da cidade. Criada a família, iam comendo o dinheiro da fazendinha vendida, moíam o tempo apreciando o movimento da rua, falando de novidades miúdas, esperando o dia de amanhã com o sossego dos que têm o coração puro e a consciência leve.
Tia Neguita era uma santa, todo mundo dizia. Meio aperrengada ultimamente – um começo de palpitação, no tempo de frio uma dor nas juntas que só vendo -, desacorçoou de subir a ladeira até a igreja e acabou parando com a comunhão diária. O padre vinha aos domingos, o sacristão na frente tocando a campainha. Ela comungava, agradecia, renovava o brilho dos olhos e a suavidade do sorriso.
Tio Joviano, também muito bom, era homem franco, sem rodeio. Um dia, entrando em casa, foi direto pro quarto, onde ela fazia seu tricô, enrolada num coberto. Vendo o marido chegar esbaforido, paralisou as mãos no ponto em que estava, olhou por cima dos óculos e perguntou:
- Que cara é essa, homem de Deus? Andou vendo passarinho verde?
Ele, sem cerimônia:
- Olha, Neguita. Eu tava quietando meu solzinho lá fora, fiquei pensando. Primeiro foi o copadre Ambrósio. Depois a Esméria...
- E aí?
- Aí, foi o pobre do Tertuliano. Ultimamente, de seis em seis mês, a Parca leva um. Uma vez do seu lado, outra vez do meu, né mesmo?
- É. E então?
- Então, o próximo vai ser aqui em casa.
Antes que tia Neguita abrisse a boca, ele completou, apontando para ela:
- E marra as calça que vai ser do seu lado!
Ela não disse nem pau nem pedra. Deu um sorriso, que só ela. Menos de seis meses depois, descansou. Tio Joviano quis ir atrás, mas não teve ordem. Ainda viu muita banana despencar antes de chegar a vez dele.
Curtas insanos: aconteceu no ônibus
• Gislaine trabalhava em uma imobiliária, era secretária. Oito horas diárias, de vez em quando fazia hora extra, era cansativo e, no final da tarde, ela já não via a hora de chegar em casa. No caminho, Gislaine costumava viajar nos seus pensamentos enquanto olhava a paisagem através da janela do ônibus. No horário em que ela costumava pegar o ônibus sempre tinha muitos lugares para sentar, dificilmente estava lotado. Todos os dias da semana eram iguais para ela, da casa para o trabalho e do trabalho para casa. Mas naquela segunda-feira de 2004, após feriadão de Páscoa, Gislaine voltava do trabalho, com aquele olhar perdido de sempre, quando foi trazida de volta ao mundo real por uma mulher, que entrou correndo no ônibus e acertou-lhe um soco no rosto, na bochecha direita. A maluca insana, assim como entrou no ônibus, saiu. Gislaine, em uma crise de choro pela agressão sofrida, perguntou ao cobrador o que tinha acontecido. Na maior calma do mundo, como se o que tinha acontecido fosse aceitável e normal, respondeu-lhe: Ela sempre faz isso, entra correndo ônibus adentro e agride a primeira pessoa que vê pela frente. Depois vai embora. Gislaine ficou ali, sentada, chorando, até chegar à parada de destino.
• Larry era um cara bem apessoado. Não era aquele tipo de homem que chama a atenção das mulheres ao entrar em um lugar, mas tinha charme, um bom papo e era divertido. Em uma das voltas para casa, pegou o ônibus de costume e, ao lado dele, sentou-se uma senhora de mais ou menos setenta anos e muito falante. Quando Larry estava quase chegando a casa, faltavam apenas algumas quadras, a senhora o olha - bem séria - e lhe diz, com uma naturalidade impressionante: Eu gostei de ti, o achei interessante. Quer ir comigo, lá em casa, para nos conhecermos melhor? Se é que tu me entendes... Eu lhe dou R$ 50,00! Larry, sem entender direito o que estava acontecendo (nestas horas, como se em estado de choque, a gente sempre tem a impressão que não é com a gente) agradeceu ao convite, mas teria que recusar, pois não fazia aquele tipo de serviço. A senhora pareceu ficar desapontada. Larry desceu do ônibus, um tanto decepcionado com a proposta de uma senhora que poderia ser a avó dele. Ao chegar a casa, se olhou bem no espelho, como se estivesse se olhando pela primeira vez, tentando entender o que levou àquela doce e frágil senhora confundi-lo com um prostituto...
• Michele, estudante de Administração, conseguiu o seu primeiro estágio em uma empresa de grande porte. Estava feliz, trabalhava meio turno e tinha tempo para estudar e fazer outras coisas. Em uma das idas ao novo trabalho, ao pegar o ônibus, sentou-se no banco detrás do banco em que duas senhoras estavam sentadas, e elas falavam sem parar. Não teve como não prestar atenção no que elas diziam, a tristeza da voz da senhora mais falante lhe chamava atenção. Ela desabafava com a amiga sobre o divórcio da filha: Coitada da minha filha, ela é muito jovem para enfrentar uma separação, ainda mais agora, grávida. O marido foi embora de casa dizendo que tem outra, que está apaixonado. Nunca mais ligou, não atende aos telefonemas dela, uma tristeza! E a pobrezinha fica lá, chorando pelos cantos. Ela ficou tão traumatizada, mas tão traumatizada com o que aconteceu, que quase teve um traumatismo craniano. É brinquedo, não! Michele não sabia se ria ou se chorava com o que tinha acabado de ouvir, mas sentiu pena da moça.
Assim como Gislaine, Larry e Michele, tu também deves ter tido uma história incomum que ocorreu em um ônibus para nos contar. Solte o verbo e desabafe, afinal, ninguém está livre de certos acontecimentos.
FALCON
As gerações anos 90 e de agora talvez não conheçam ou nunca tenham ouvido falar do Falcon, um boneco que fez o maior sucesso nos anos 80. Era para meninos, e tinha cabelo e barba de verdade! Coisa rara em bonecos masculinos. Se fosse personagem de algum filme, não ficaria devendo para os valentões como Chuck Norris ou Arnold Schwarzenegger. E por ter a aparência que imitava direitinho um homem de verdade, era comum muita gente parecer-se com ele.
Carlos era um homem vaidoso, estava sempre atento ao visual, que mudava com frequência. Naquele ano, optou pela barba, que mantinha bem aparada, tal como os cabelos. Era empregado público de um banco do Estado, no começo dos anos 80. O banco costumava qualificar seus funcionários com vários cursos e, na seção de Carlos, ele foi o escolhido para fazer um dos cursos. Ficou uns dias fora e, quando voltou, as coisas não eram mais as mesmas na repartição. Fuinha tomou o lugar de Carlos, era o novo chefe. O colega que ele ensinou todo o serviço, que era quieto e sem boca pra nada, agora, com a nova função, estava completamente mudado. A postura de ombros caídos tinha desaparecido e o nariz estava empinado demais. É comum essa troca de cargos em órgãos do governo, quando este muda. Fuinha era amigo de um dos dirigentes do partido do novo governo e foi lembrado na distribuição de cargos.
- E aí, Falcon. Sou teu novo chefe agora, disse Fuinha, com as pernas cruzadas por cima da mesa.
- Que bom, parabéns! Mas do que tu me chamaste, mesmo?, falou Carlos, já nervoso.
- Eu te chamei de Falcon!, insistiu o, então, debochado Fuinha.
- Olha, cara. Eu não gosto de apelidos, e se tu me chamares de novo de Falcon, eu vou te bater tanto, que tu vai te arrepender de ter nascido!
- Tu não farias isso, serias demitido...
- Experimenta pra ver, então, me chame de Falcon pra ti ver o que te acontece.
- Chamo, sim: F A L C O N!!!
Carlos não pensou duas vezes, partiu para cima de Fuinha e descontou toda a raiva sentida pelo cargo perdido e pelo novo apelido. Os colegas apartaram e Carlos foi chamado, às pressas, à diretoria. José Paulo, o diretor da seção, era gente boa, compreensivo, conhecia bem o trabalho dos dois.
- Meu filho, tu sempre foste um ótimo funcionário. O que houve?
- Ele me chamou de Falcon!
- Como?
Carlos teve que explicar o que era o Falcon. José Paulo estava quase se aposentando, era de uma geração diferente e o boneco era totalmente desconhecido para ele. João Paulo compreendeu a reação de Carlos, achou que ele estava estressado e o aconselhou a tirar férias, para esfriar a cabeça. Na volta, trocaria de setor. Não trabalharia mais com Fuinha.
Quinze dias depois, a cabeça esfriou e Carlos voltou ao trabalho. Foi informado que a permuta não era possível, pois não encontraram quem quisesse trabalhar com o Fuinha. Até encontrarem alguém que quisesse trocar de setor, Carlos teria que aguentar o colega debochado. As coisas estavam indo bem, não tinha tido nenhum problema, até ouvir Fuinha reclamar de uma planilha de cálculos:
- Essa planilha está uma porcaria, uma droga mal feita, isso só pode ser coisa do Falcon!
Carlos, que já não tinha uma grande afeição por Fuinha, levantou-se e, indignado, perguntou:
- O que tu ta dizendo?
- Eu disse que este gráfico ta uma porcaria, Falcon!
- Tu me chamaste de quê?
- Eu te chamei de Falcon. F – A – L – C – O – N!
Fuinha apanhou novamente. Talvez fosse um desejo secreto dele, levar uma surra em pleno ambiente de trabalho. Seria ele masoquista em querer provocar tanto?
Carlos foi chamado novamente à diretoria, mas desta vez, não teve jeito. Estava demitido. Foi no Sindicato e exigiu todos os seus direitos. O pessoal do Sindicato também não estava entendendo o que aconteceu, Carlos era querido por todos:
- Mas o que foi isso, companheiro?
- Ele me chamou de Falcon...
Hoje, mais maduro e experiente, Falcon, digo, Carlos, está mais tranquilo. Passou em outro concurso, ganha bem e tem estabilidade. Ele pensa duas vezes antes de reagir a uma provocação, mas não engole sapos. Estes não lhe caem bem, causam indigestão. A última notícia que teve de Fuinha foi há uns vinte anos. Ele foi demitido do banco dois anos após o acontecido, não sabe ao certo por quê. Se encontrasse com ele hoje, agradeceria à provocação, pois se ele não o tivesse chamado de Falcon, talvez Carlos ainda estivesse trabalhando no banco, ganhando bem menos que agora. Há males que vêm pra bem. Neste meio tempo, Carlos conviveu com pessoas de diversas personalidades, algumas como o Fuinha, e soube tirar de letra as provocações. O segredo é não se abalar com coisas pequenas, não vale à pena.